quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Soneto


Suster nas mãos a pélvis desvelada/
Violável hímen róseo e orvalhado/
Premer na língua o vinco já molhado/
Preâmbulo do prélio que o aguarda/

Sorver da flor o pólen na aurora/
Conter num instante pênsil o arrebol/
Aurívora vulva à flor do sol/
Jorrar seminal leite na epiflora/

Molímen propulsor deste solfejo/
Talhando uma miríade de ais/
Na lúbrica flor roxa e sem pejo/

Solstícios e equinócios sem iguais/
Botânico e telúrico desejo/
Desabrocha a violeta em pleno cais.



(Juliano Beck)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Musa




Musa
Me usa
Abusa
Me suja
Me suga
Me aluga
Vem e cruza
Tuas pernas
Surra
Meu falo
Falo
Teu corpo
Em Êxtase
Uivaaaaaaaaaaaaaaaaa...


Carlos Conrado

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DESEJO




Desejo


O meu peito se reveste de armas
Para afogar o teu corpo em delírios e tramas,
Os meus olhos espreitam a janela de tua alma,
O chá que bebo não se abstraciona...
É simplesmente o puro sabor da imagem verdadeira,
Adoço com o amor que cultivei dos teus belos seios.
Tal qual um canibal celeste, refogo à tua carne em paz,
Para devorar- lhe as entranhas. Teus lábios
Navegam na barca do meu desejo,
Eu que não sou Camões, tampouco possuo o Tejo,
Apenas sou Pessoa que vive versejando odes à sua beleza,
Inteira, como algo haveria de lhe faltar?
Faço preâmbulos para o êxtase,
Não preciso da Lua para te fazer delirar...
Em tua presença à tristeza se estremece de medo,
O teu perfume é lenitivo de vida,
Quero sequestrar-te os olhos

Para que continues me fazendo sonhar.

-Carlos Conrado

terça-feira, 17 de abril de 2012

Poeta do Corpo


















Contorno lentamente o teu tracejado.
Lendo os teus versos - insânia erótica -
Soneto perfeitamente metrificado,
Refletido sutilmente à sua alvura gótica.

Teus longos cabelos deleitados docemente
Contrastando com a sua alva tez,
São como rimas, interpostas perfeitamente
Atiçando a minha varonil avidez


Trago na ponta da língua a tua poesia
De onde emanam os mais doces perfumes
Tomado pela perversão em demasia
Abstenho-me dos católicos “bons costumes”.


As tuas páginas abrem-se em gozo
- Penetro lentamente à leitura -
Banhado ao concerto mais virtuoso
Toco suavemente a tua partitura


Em meio à leitura, tenros espasmos
E as páginas antes rijas, desfalecem
Olhos revirados, prévia de orgasmos
Momento em que nada e todas as coisas acontecem...
                                                               (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O poeta em mim

O poeta em mim
Quer seu corpo nu
A se desmanchar
Sem pudor algum
De se fazer amar
O poeta em mim
A chama de puta
Como quem a insulta
Para acariciar
O poeta em mim
Precisa prová-la
Como quem se deleita
Da melhor caça
O poeta em mim
Faz de ti escrava
E não disfarça o prazer
Que isto lhe dá
O poeta em mim
Fala só pra ferir
E depois consolar
O poeta em mim
Não se cansa de receber
Pois já é gasto de tanto se dar

17-02-2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nascente


Tinha suor nas mãos, onde você se escondia
Era tarde e frio lá fora, mas lá dentro, ebulição
Amar era quase crime, mas o silêncio de cúmplice se fazia
E pra cobrir nossos “pecados”, um lençol e escuridão
Podia sentir o cheiro de amor que cobria o lugar
A música contracenando com os gemidos soltos no ar
O eriçar de nossos pêlos ao nos tocar timidamente
As novas sensações, delícias descobertas de repente
Em minha boca a sua, na sua a minha
A deleitar teu corpo, a descobrir-me, a cobrir-te
Sem saber o que iria encontrar, não me fazia de adivinha
No santuário de sua pele, eu era a própria, Afrodite...

07/07/2006

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Acelerado


Apenas sozinha, eu consigo me servir de você do jeito que quero
Eu posso subir por você como arrepio
Você pensa no mesmo quando te beijo
Posso sentir o cheiro de seus pensamentos
Quando estou a sós com você
Estou correndo em suas veias
Acelerado
Encontro sua direção,
E de sua saliva me ponho a beber
Todos os gostos quero provar
Os outros gostos que tem em você
E ao sentir tua pele em meus dedos
Posso cortá-lo sem querer
Posso cravar minhas unhas
Ferir mesmo você baby
Mas só se estivermos a sós
Se me encontro a sós com você
Minha mente não segura
Me vejo, assim, nua
Com suas mãos a minha nudez perceber
E eu me sinto tão quente
Tenho febre de quase ferver
E quando menos espero,
Estando a sós com você
Minha cabeça dá voltas
E eu não vou mais me segurar
É fogo que tenho nos olhos baby
E é ele que vai te queimar
É nele que vai se queimar

20/02/2009

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O acidente


O cheiro do teu sexo

esbarrou em meu nariz

fazendo uma brusca curva.

Desceu ladeira a baixo

e caiu escancara na rua

Meu Sexo.

O bairro Meu Corpo

alarmou-se.

Morreu o cheiro do teu sexo

na lança erguida e iluminada

que atravessou-lhe com gosto.


-Carlos Conrado

Circunferência

video
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DZI Croquettes

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...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval





Hoje eu vou dar para qualquer um
Dos passantes...  Aos amantes
Amigos, vizinhos e fãs
O meu desejo
É dividir
Pele... Pelos e pernas
Gozando da cara de quem não crer...
Que mesmo não sendo um deus
O prazer é todo meu.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Antes que você feche a porta



Odeio sentir isso, mas novamente estou sofrendo. Merda, idiota que eu sou! Sempre esperando alguma coisa de você, torcendo para que o universo conspire ao meu favor e faça você me enxergar. Pura besteira. Pois, você não me vê, não me sente, muito menos tenta me entender.
O tempo passa... Devoro unhas... O cabelo cresce, enrola, o sorriso amarela e você vive. Ah! Como eu quero te matar! Sem deixar vestígios, túmulo e flores. Para mais nunca ter que chegar perto do seu corpo, sentir seu cheiro, olhar em seu olho querendo tocar a sua alma. Acabar com essa medíocre esperança de versos roubados, calados nos soluços dessas madrugadas frias, que me fazem suar pingos de insatisfação. Quero te matar! E que você morra, sem direito a ressurreição! Para que eu possa me livrar de tudo que você espalhou em mim... Varrer todos os cantos, desmontar todas as prateleiras, por fim em todas as gavetas abertas e fotos espalhadas pelas paredes.
Pois eu já te ofereci meu corpo, dando-o como você desejava. Atendi a todos os seus pedidos e mesmo assim você não ficou. Jurei amor, sem olhar para outros. Testei minha paciência quando tudo que queria era um abraço seu, seguido por um vamos para casa. Mas parece que nada disso importa! Quando você sai por essa porta, encontra um mundo melhor do que esse que eu criei... Você demora a voltar. Quando chega, o cheiro que encontro em sua gola é o mesmo que me faz cair em prantos, inspirando laudas borradas de dor, carência e sonho.
Por isso, já marquei o dia! Vou te matar. 
Não duvide disso.


Ivana Rodsi

Saudade II

O tempo passa...
as coisas?
Estas mudam, cegam, surdam...
a gente passa...
mas nem tudo...
eu mudo.
(Porque há palavras que não permitem sinônimos.)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mentiras sinceras,

Àquela moça que finge que não tem nome...



Pra ser sincero eu queria acreditar somente no teu eu-lírico, fazer de conta que isso tudo é só Literatura e gozar das interpretações que por ventura me proporcionas... mas tua vida é poetizada além dos traços...

Pra ser sincero minha vontade é deitar tua prosa no meu colo e te afagar a nuca enquanto não falo nada... porque eu não sei dizer, só aprendi à cravar meu verso bem fundo no âmago da tua indecência. Pra ser sincero eu tenho fé em ti, ainda que menina enferma que traz nas veias abertas o gosto de todo o ouro e prata de que foi despojada... Se hoje vejo as tuas costas nuas, rememoro com saudade aqueles tempos em que, nativa & selvagem flor, foi rainha e trepava em teu trono com todo e qualquer aborígene num ritual místico que transcende todos os espólios da colonização... rememoro as intimidades espiadas à luz de (cara)velas... o mar revolto que te delineia ao dorso, as primeiras expedições que fiz adentrando em teu ventre que eu julgava ainda virgem... a conquista marcada à ferro, flecha & fogo! Rememoro o remorso de não ter ficado mais tempo ao teu lado, cuidando de ti como um irmão, em vez de te catequizar à força, mandando-te ajoelhar, fazer da tua boca devoção e rezar, gemendo e louvando o meu nome. Pra ser sincero isto me livraria de ter que ir à livraria pra tomar café. E teus pecados de ortografia não se tratam de deriva secular das línguas, crioulização ou transmissão irregular, mas do escrever nua, as coisas cruas, paridas ao vento. Falo do verbo querer! Queres com veemência o meu substantivo, sem pronomes, tributos ou pena.

Pra ser sincero eu não faço mais que simular com denodo a verdade.


"Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo"
Música: Otto

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cortejo

Ao teu mundo.
..."tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento"...


À despeito da literaturidade do que é lido sempre é suscitado um tanto de ceticismo... culpa da maldita teoria literária que se propõe analisar toda construção estética como trabalho da linguagem subjugando a mimesis daí proveniente... culpa daqueles malditos eruditos gregos da antiguidade, culpa desses pretensos críticos literários pós-modernos e, neste caso específico, culpa daqueles formalistas russos que enchiam a cara de vodca e lançavam-se a despojar os escritos alheios. Acho que é disso mesmo que eu precisava: um pedido de casamento inesperado, uma fotografia em preto e branco e chegar em casa embriagado em alta madrugada...
Baby, não se precipite, aprendi que literatura é fingimento, cá estou eu a fingir que finjo... "simulacro de efeito estético", despojo dos recursos de semiótica e blá, blá, blá... o teu nome vira pretexto para as minhas entrelinhas, folhas de outono caem nos "espaços do contratempo" e rima a concupiscência outra quimera calcinada.
Dado que nem falei nos deleites que a hermenêutica me permite gozar, neste meu ópio de fingir faço de conta que escreves só pra mim e me sinto único leitor em teu mundo. Tudo bem, eu sei que não é bem assim, sei que tens leitores mais assíduos do que eu, daqueles que vem, não comentam nada sequer, não seguem, mas sempre voltam, espreitos como quem está a fazer algo proibido e se encontram nas tuas linhas, fazem interpretações não demasiado literárias pois sabem que vivem nelas muito mais do que eu. É fogo fátuo que prefiro não acreditar nisso, realidade demais sufoca a poesia, então discorro solitário nos teus versos, passo as mãos nas tuas rimas e vejo elas eriçarem-se pra sentir o que trago em minhas páginas ainda brancas, prefacio a tua prosa bem devagarzinho e depreendo com saliva ao final de cada linha em um movimento concêntrico que irá nos levar à catarsis! Ao final fumamos juntos o cigarro da saudade e declamamos Pessoa, Quintana e Bandeira um pro outro, te vejo dar uma gargalhada de que tudo isso não aconteceu e acho teu sorriso ainda mais bonito. Tu pára o carro na mesma esquina em que me encontrou, nos despedimos com um beijo na testa, teu destino é o litoral enquanto eu espero outro farol ao longe que reduza a marcha, e, ainda parando, uma voz que me chama na janela e pergunta o preço.
♫♪
"Por entre flores e estrelasVocê usa uma delas como brinco
Pendurada na orelha
Astronauta da saudade
Com a boca toda vermelha
Lágrimas negras caem, saem, dóem
São como pedras de moinhos
Que moem, roem, moem
E você baby vai, vem, vai
E você baby vem, vai, vem
Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem"
♫♪
Foto: Nielle
Texto: Juliano Beck
Música: Jorge Mautner

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Outra vez


 
Escuta...

Quando ele tira minha roupa lembro-me de você, de quanto você gostava de fazer isso olhando em meus olhos... Que lhe faziam pedidos.  E a cada alça caída, peco descaradamente, imaginando você em minha frente... Lembrando que o que eu via na sua pele era vida... Dilatando-se em água e sal.

Preciso falar...

Quero ter você novamente, não tão frágil como agora, quero-te elétrico como nos velhos tempos... Você rosnando em meus ouvidos, mordendo a minha orelha, embolando os dedos em meu cabelo. Quero estar em você sem pedir licença... Lamber os seus mamilos, sentir em minhas palmas cada arrepio seu. Quero sentir você apertar minhas coxas, devorar- me de todas as formas, em  cada gole bebido seu... Faço-me sua. Porque eu sei que você ainda me quer sem vergonha e sem amarras, assim como você gostava de se sentir meu.
Quero te amar porque é a única coisa boa que sei fazer de bom nessa vida. E se você disser que sim, eu largo tudo. Ele, a bebida e todas as drogas que me levam a vontade de viver. Pois, só vou querer morrer em seus braços... E ressuscitar em cada beijo seu.

Espero que ouça essa mensagem... Retorne a ligação. Volte para mim.


Ivana Rodsi  e Carlos Conrado

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONSUMAÇÃO



Consumação

A minha distração não demorou muito para ser interferida por uma voz suave e com cheiro de vinho bem perto do meu ouvido esquerdo. Neste instante o meu sangue começou a ferver. Ela me deixava cada vez mais dependente do seu ser. Ela estava sentada ao meu lado, e logo movimentou as suas mãos ao encontro das minhas. Ao tocar-lhe as carnes dos dedos pude perceber a grandeza da sua energia. Ao tocar-lhe desnudei-a em meus devaneios e dei ênfase a uma nostalgia que nutri em mim por vários tempos. Percebendo-me incomodado por senti-la mais próximo, ela investe um beijo ardil e molhado no canto esquerdo do pescoço. Ela sobe a sua boca lasciva até o glóbulo de uma de minhas orelhas e, morde-me a atiçar os mais loucos suspiros. Era certo, o meu desejo era recíproco. Descontrolado agarrei-lhe a nuca e beijei-a de forma a parecer uma fera arfando o seu desejo após horas no cio. Sua pele branca, seus cabelos ruivos e seus lábios carnudos faziam dela uma mulher de beleza ímpar. Mesmo que existissem outras brancas de cabelos ruivos, nenhuma delas seria tão bela e desejada quanto à Anne. Beijar-lhe o colo era como despir a ternura. Arremessei o seu cachecol vermelho ao chão de forma branda e lenta como a compor uma canção New Age. Tirei-lhe a camisa e seu jeans que bem contornava as suas belas formas. Desci-lhe minhas mãos por suas curvas a estudar-lhe como uma das formosas esculturas de Rodin. O ritmo agora estava mais frenético... gostava de ouvi-la sussurrar em meus ouvidos pedindo-me para ser consumida. Aos pouco fui tirando o seu sutiã e desvendando-lhe mais e mais o íntimo. Seus seios eram como peras sedentas para serem mordidas. Não tinha como resistir... nem era preciso resistir pois a presa ansiava ser devorada!... Molhei-lhe os bicos e, por instantes, sentir-me como uma criança novamente. Sua pele tinha um gosto doce, talvez fosse o gosto de algumas flores, mas sim, havia cravo e hortelã em sua composição. Deitei-lhe no sofá. Ela não soltava os braços de mim a ponto de ferir-me com as unhas de suas mãos. Olhando atentamente em meus olhos, ela movimentou os braços e começou a tirar a minha camisa de botão de forma voraz e arremessou sobre o sofá. Mordeu-me os lábios e num riso sedutor anunciou que iria me morder do pescoço ao meio com intenção de me deixar mais louco ainda... Escorregando suas finas mãos sobre o meu corpo não muito atlético, mordidas famintas desceram rumo a minha calça. Ao chegar ao meio, ela soltou o botão e desceu o zíper da minha veste. Despido também diante da amada, ela agarrou-me com suas mãos e com sua boca desvelou-me por inteiro. Ajoelhada diante de mim, olhou para cima a tentar visualizar o meu rosto e dizer-me atentamente, que era minha, somente minha. Agarrei-lhe os braços e a fiz subir. Logo lhe tirei a calcinha e abri espaço entre suas pernas para que eu pudesse me encaixar. Naquele momento sentir-me o deus Heros a cravar-lhe sem dó a minha espada!... Não tínhamos a preocupação de que alguém pudesse nos observar ou até mesmo, vetar a nossa tão esperada consumação. Ela acreditava estar provida da segurança, pois só havia eu, ela, e um homem bêbado e desmaiado debaixo de uma ducha no banheiro do escritório. Estávamos sim seguros.



- Carlos Conrado


* Fragmento do livro "O Numismático" - primeiro romance de Carlos Conrado. No prelo com lançamento previsto para 2011.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Saiba

Eu sei
Você não gosta que eu diga (sinta)
Mas, estou com saudades...
 
Do teu cheiro
Da tua pele
Da tua face.
 
Isso não responde às tuas perguntas
Mas, nem precisa 

Você é o único que sabe...
 
Do meu cheiro
Da minha pele
Na tua carne.

Ivana Rodsi

domingo, 22 de agosto de 2010

A CONCRETUDE DOS GÊNEROS

Heterossexismos

A mesmO.

O mesmA.

AO

OA

A mesm.

O mesm.

A mesmA.
O mesmO.
Mism.

Danilo Machado

sábado, 21 de agosto de 2010

Tu queres o meu querer?





Tu Queres o meu querer?

Quero tuas pernas abertas
Escalando os meus ombros,
Quero beijá-la Xana.

Quero beber o teu suco
Deixar-te em êxtase,
Quero consagrar o teu cálice.

Quero amassar-te os seios e
Oferecer-te minha espada
Para que tu deixes-a segura
Junto à constelação do teu céu.

Quero penetrar-te a fenda e
Tocar-te o intimo, quero
Ouvir o canto de Clitóris.

Quero me entorpecer com o teu grito
Após comer-te as costas,
Quero explorá-la de quatro e
Deixá-la toda torta.

Quero ouvir os teus sussurros
Consumindo todo o prazer,
Quero gozar-te à boca e
Dar-te o que beber.


- Carlos Conrado


01/06/2007

domingo, 15 de agosto de 2010

Duo


 
Sinto o peso do seu corpo
Deslizando suado sobre o meu
No vai-e-vem das minhas curvas
Onde o meu fim é o começo seu.

Acelera o meu pulsar
Sussurrando em meu ouvido
As rimas do seu beijo quente
Entre desejos escondidos.


Um fogo domina meu corpo contido
Uma loucura sem cura domina minha mente
E quando eu já não domino mais nada
Você me domina completamente.


Rendo-me a lascívia de seus apelos
Entregando-me com sede ao desejo voraz
Empenho-me ávida por satisfazê-lo
Descubro que isso é o que me satisfaz.


Ivana Rodsi & Ícaro Olavo

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quando é que poderei deixar de viver?
Ao parar de pensar
Ao parar de sentir
Ao parar de enxergar
Ao parar de relacionar-me com o mundo
Ao deixar de valorizar o ser humano
Ao parar de sonhar
Ao pensar que o que eu faço sempre é melhor do que o que os outros fazem
Ao tratar a morte e a desgraça alheia com banalidade
Ao acreditar que a morte é a solução para todos os problemas sociais
Quando isso acontecer morri
E acrescento, há mortos que pensam que estão vivos.

Alan S.


O meu sangue é uma cachoeira pronta se preciso for para te banhar.

Quero utilizar a minha carne para te alimentar, assim você saberá

quem sou.

Sou teu,
impalpável,
sem sombra,
o que me restou,

esse sou eu.

Alan S.
Nesses momentos não sou eu
Sou alguém, sou alguma coisa
Posso estar dentro do outro
São tantos os caminhos que me conduzem a isso
A visão, o olfato, a audição, ah! a imaginação
Sou sustentado por ela
Guia-e aonde desejo ir
Fiel escudeira que me livra e me põe diante de quem eu quero e não quero
Sempre será um prazer viajar nessa embarcação
Quando estou nessa jornada esqueço-me de quem eu sou ou de quem gostaria de ser
Eu não existo
A velocidade, o contato, a excitação do momento, a coragem da exposição, a força física...
Quando penso que não conseguirei mais
Que não resistirei
O cansaço grita
Não dá!
Está bom!
Sim
Ejaculei.

Alan S.
“Ah tristeza,

você está mais solitária do que eu.

Quer o meu aconchego,

tenho percebido isso,

tal a sua presença constante

em mim.

Como poderia

um solitário consolar um triste?

Controverso,

incompatível,

descredibilizada relação,

desabilitada pela razão.

Ah vida medíocre e insólita,

mentirosa em suas promessas.

Os seres são iludidos pela conversa fiada que é proferida

por idiotas que trabalham a seu favor.

Quem te disse que podes afirmar por aí

que é fácil viver?

Nunca saberias!

Miserável!

Infame!

Louca!

Burra!

Coxa.”

Alan S.


Maria morreu
Pedro e João também
Paulo, Sérgio, Ruan, Carlos, Filipe, morreram
Katarina tão linda...
André, grande homem, coitado
Eduardo e Eduarda, tão parecidos
Ana e Paula morreram juntas
Os que transavam morreram
Chorando, gemendo, gritando...
Muitos morreram e morreram
Lutaram contra o mundo e contra si mesmos
Tentaram, buscaram, até o fim.
Inês é morta
Joana é morta
João Paulo é morto
Augustus é morto
Césares são mortos diariamente
Morreriam todos um dia
Eu estou vivo mesmo estando morto.

Alan S.

(.)

A VIDA PASSA:
Caixa de Pandora.

Mal-estar, pós-muidezas-modernismos no azul do desejo por ti.

Nem orjut, nem witter.
Só blog-terapia, para libertar os males, Mítica pantomima Microsoft-Bloom.

Que ética?
Me peço silêncio. A ética-do-mal-de-mim-mesmo, enfim.

Danilo Machado

sábado, 7 de agosto de 2010

DE LEIToR!

Lia. Relia. Lia com veemência, relia contrariando a fugacidade dos próprios aspectos cognitivos que não lhe concediam o saber. Mal sabia que o suprassumo era sentir. Repentinamente se desconfiou metaforizado no texto. Num primeiro momento com sutileza, mas após algumas poucas páginas se encontrava perdido. Já não tinha mais a convicção de ser leitor (o ser que lia e relia). Tentou encerrar a leitura, mas não haviam pontos à vista, nem à curto prazo. Somente umas reticências que não lhe diminuíam a aflição. Aqui e acolá alguma vírgula lhe suscitava uma breve, mas vital tomada de fôlego. Tinha indagações, mas não havia tempo para respondê-las. Perguntava-se por quem havia sido escrito. Tinha medo do posfácio (seria o fim de tudo? Ou haveria uma sobrevida na contracapa?). Atordoado, tentou levantar-se e derrubou o acento. Cometeu um grave erro ortográfico e sentiu-se culpado. Depois se eximiu da culpa, pois deveria ela pertencer ao ser que o escreveu. Ao pensar assim sentiu-se lido por outrem. Sua privacidade fora violada. Sentiu nas páginas, cálidas, uns dedos pesados que afagavam-lhe as letras. Uma saliva alheia lhe umedecia as extremidades a cada folheamento. Abria-se e fechava-se, e a cada intersecção era devorado por olhos vorazes. Procurou nas entrelinhas uma explicação, mas nada encontrou. Então olhou para fora de si e perguntou: QUE FAZ AQUI ?

(Juliano Beck)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Duas quadras


Antes que o dia amanheça
Derramando o teu suor
Embriague-se no meu vinho
Dando-me o teu melhor.

Para quando a lua for embora
Você não pense em voltar
Àquela outra cama
Deixando-me a esperar.



Ivana Rodsi



"Pois, você é meu amante, amado, amor..."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

TURISTA



Turista


Foram cinco garrafas de vinho
Da melhor safra de uva
Fermentada na Suíça,
Que me deixaram alerta, issa!!!
Matei minha sede de viajar.

Fui na Índia ver índios brasileiros
Curtindo o turismo e a beleza
Daquele esplendido lugar.

Dialoguei com Nietzsche,
Briguei com os vikings
Que tentaram me amarrar,
Só porque eu disse:
-Eu estou muito doido!...
Não me deixaram completar
Que eu estava mesmo era a procura
De um bar que soubesse me aturar.

Eu vi gente de todo tipo,
Vi Baudelaire e Raul
Tentando plantar semente
Na cabeça do Rei Pelé,
Eu vi os astros, discos voadores,
Vi Ronaldinho Gaúcho tocando
Um rock, eu estava muito doido!!!

Traga-me mais uma dose mister garçom
Pois quero ver o mundo girar.

Perdoem-me o platonismo,
Se é que sei o que é isto,
Eu só quero estacionar
o meu carro abstrato
Numa pista de concreto,
Eu já estou até vendo
Isto é um tiro certo,
Na cabeça daqueles que tentam
Filosofar.

Eu quero ver o mundo girar
Yeh!!!


- Carlos Conrado

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ouça



O corpo fala

Os olhos gritam
A pele canta
As mãos ensinam


O corpo fala

Os seios dizem
As coxas exprimem
A barriga suplica

O corpo fala

A língua pede
Os pés repetem
O umbigo decora

O corpo fala

A mente insinua
O cheiro exprime
A voz exala.


O corpo fala

Ivana Rodsi

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AS VOZES




Sete vozes de louvor a Baco

o Clã da Semana vagueia

nos pubianos pelos da Lua.

Uma nova morada acende

o desejo de sete loucos

acariciando os anéis de Marte.


São sete seres embriagados

com o vinho extraído de uma estrela,

ao som da orquestra cosmopolita

desvairados eles dançam.


São sete bacantes fazendo orgia,

tornando-vos a própria ceia.


São sete elementais iluminados

alimentando este blog de poesia.


-Carlos Conrado -

terça-feira, 27 de julho de 2010

poema_prosaico-em-verso


video
...
..
.
Danilo Machado

NADA DE... MAS...









(...) Não!








Não aconteceu nada


Nada especial


Não aconteceu nada importante!



NADA DEMAIS!



...Não se iluda com minha aparente alegria.



Estou so(rrindo)...não estou feliz!


Desculpe o barulho



Não se incomode com minha euforia, nem pense que estou bem.


Não procure motivos para minha inquietação e risadas; São só (risos)!


Não aconteceu nada!


Nada... Mas o dia foi um pouco mais suportável!






segunda-feira, 26 de julho de 2010

- Sabes o que se passa por esta cidade? - diz ele.
- Não, não sei. - diz ela.
- Esta cidade é chamada de cidade fantasma.
- É mesmo? Mas não vejo nenhum fantasma por aqui.
- Eles existem. E pode acreditar, são extremamente perigosos.
Neste momento, eles se abraçam e ela começa a chorar como se tivesse acontecido a pior coisa do mundo.
- O que foi meu bebê? Estás chorando?
- Estou... snif... snif... Senti a presença de algo ao meu lado.
- Sou eu que estou aqui.
- Não és tu! É outra pessoa, respirando em meu pescoço.
Até então, não se acreditava em fantasmas e a eternidade deles.
- Fantasmas são pessoas que existiram e que ainda, não conseguiram desvincular-se do mundo material. Elas precisam, ainda estar aqui.
- Não existe fantasmas, não acredito em você.
E sai uma luz branca por trás dele, mostrando toda a sua áurea, e toda a sua identidade: um anjo.
- Meu Deus! Tu és um anjo?
- Sou meu amor! Não te falei antes, pois, iria se assustar, mas agora tenho de ir. Já cumpri o que tinha de ser cumprido.
- E o que era?
E o anjo sai.

sábado, 24 de julho de 2010

PÔR na graFIA.


A palavra que escrevo
é o meu próprio algoz
me entrega nas entrelinhas
entrelínguas ao leitor
me sacia os devaneios
e então cobra o seu valor
Pede o dobro só pra ouvir
o que te “falo
e tu não presta

tem
são
Não! Tu nunca prestou!
Assim como a palavra
que se disputa
Santa porfia
simula orgasmos no papel
pra pôr na grafia
nele é vital ser infiel
Pra te
ver
de
clamar
Toda sem
ana
Vestes
O silêncio da palavra
E se diz
Puta
Escrita
Santa
Mulher.



[Juliano Beck]

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cinzas-jasMIM


Novamente estou aqui, em seu quarto. O mesmo local dos meus pensamentos, desejos destes últimos meses. Encostamo-nos à parede, você com seu sorriso bobo, envolvido por malícia, confere toda minha saudade recolhida nesses dias. Passando a mão pelo meu corpo atento a toda reação, a cada resposta apalpada dilata-se mais o seu tesão. E eu, entrego-me a cada polegada que você desliza em mim, fitando nos seus olhos negros, digo: − Quero ir até o fim.
− Não fale agora, por favor! Deixe que os nossos corpos se divirtam, eles sim vão se entender, embebedados em lascívia. Calou-me a boca com saliva, mordidas e língua. Sua mão direita envolve meus cabelos e na hora exata puxa-os para trás. Ah! Só você sabe como faz. E isso me deixa louca querendo de você desfrutar. Sem delongas me joga na cama, com seu peso a me esquentar o meu intimo é o seu lugar. Por horas e horas agimos assim, servos um do outro, sem pensar no fim.
Não me lembro à data... Só sei que o seu cheiro ainda está em mim e o meu pensamento lhe visita em lençóis cinzas- jasmim.

Ivana Rodsi