terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Acelerado


Apenas sozinha, eu consigo me servir de você do jeito que quero
Eu posso subir por você como arrepio
Você pensa no mesmo quando te beijo
Posso sentir o cheiro de seus pensamentos
Quando estou a sós com você
Estou correndo em suas veias
Acelerado
Encontro sua direção,
E de sua saliva me ponho a beber
Todos os gostos quero provar
Os outros gostos que tem em você
E ao sentir tua pele em meus dedos
Posso cortá-lo sem querer
Posso cravar minhas unhas
Ferir mesmo você baby
Mas só se estivermos a sós
Se me encontro a sós com você
Minha mente não segura
Me vejo, assim, nua
Com suas mãos a minha nudez perceber
E eu me sinto tão quente
Tenho febre de quase ferver
E quando menos espero,
Estando a sós com você
Minha cabeça dá voltas
E eu não vou mais me segurar
É fogo que tenho nos olhos baby
E é ele que vai te queimar
É nele que vai se queimar

20/02/2009

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O acidente


O cheiro do teu sexo

esbarrou em meu nariz

fazendo uma brusca curva.

Desceu ladeira a baixo

e caiu escancara na rua

Meu Sexo.

O bairro Meu Corpo

alarmou-se.

Morreu o cheiro do teu sexo

na lança erguida e iluminada

que atravessou-lhe com gosto.


-Carlos Conrado

Circunferência

video
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DZI Croquettes

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval





Hoje eu vou dar para qualquer um
Dos passantes...  Aos amantes
Amigos, vizinhos e fãs
O meu desejo
É dividir
Pele... Pelos e pernas
Gozando da cara de quem não crer...
Que mesmo não sendo um deus
O prazer é todo meu.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Antes que você feche a porta



Odeio sentir isso, mas novamente estou sofrendo. Merda, idiota que eu sou! Sempre esperando alguma coisa de você, torcendo para que o universo conspire ao meu favor e faça você me enxergar. Pura besteira. Pois, você não me vê, não me sente, muito menos tenta me entender.
O tempo passa... Devoro unhas... O cabelo cresce, enrola, o sorriso amarela e você vive. Ah! Como eu quero te matar! Sem deixar vestígios, túmulo e flores. Para mais nunca ter que chegar perto do seu corpo, sentir seu cheiro, olhar em seu olho querendo tocar a sua alma. Acabar com essa medíocre esperança de versos roubados, calados nos soluços dessas madrugadas frias, que me fazem suar pingos de insatisfação. Quero te matar! E que você morra, sem direito a ressurreição! Para que eu possa me livrar de tudo que você espalhou em mim... Varrer todos os cantos, desmontar todas as prateleiras, por fim em todas as gavetas abertas e fotos espalhadas pelas paredes.
Pois eu já te ofereci meu corpo, dando-o como você desejava. Atendi a todos os seus pedidos e mesmo assim você não ficou. Jurei amor, sem olhar para outros. Testei minha paciência quando tudo que queria era um abraço seu, seguido por um vamos para casa. Mas parece que nada disso importa! Quando você sai por essa porta, encontra um mundo melhor do que esse que eu criei... Você demora a voltar. Quando chega, o cheiro que encontro em sua gola é o mesmo que me faz cair em prantos, inspirando laudas borradas de dor, carência e sonho.
Por isso, já marquei o dia! Vou te matar. 
Não duvide disso.


Ivana Rodsi

Saudade II

O tempo passa...
as coisas?
Estas mudam, cegam, surdam...
a gente passa...
mas nem tudo...
eu mudo.
(Porque há palavras que não permitem sinônimos.)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mentiras sinceras,

Àquela moça que finge que não tem nome...



Pra ser sincero eu queria acreditar somente no teu eu-lírico, fazer de conta que isso tudo é só Literatura e gozar das interpretações que por ventura me proporcionas... mas tua vida é poetizada além dos traços...

Pra ser sincero minha vontade é deitar tua prosa no meu colo e te afagar a nuca enquanto não falo nada... porque eu não sei dizer, só aprendi à cravar meu verso bem fundo no âmago da tua indecência. Pra ser sincero eu tenho fé em ti, ainda que menina enferma que traz nas veias abertas o gosto de todo o ouro e prata de que foi despojada... Se hoje vejo as tuas costas nuas, rememoro com saudade aqueles tempos em que, nativa & selvagem flor, foi rainha e trepava em teu trono com todo e qualquer aborígene num ritual místico que transcende todos os espólios da colonização... rememoro as intimidades espiadas à luz de (cara)velas... o mar revolto que te delineia ao dorso, as primeiras expedições que fiz adentrando em teu ventre que eu julgava ainda virgem... a conquista marcada à ferro, flecha & fogo! Rememoro o remorso de não ter ficado mais tempo ao teu lado, cuidando de ti como um irmão, em vez de te catequizar à força, mandando-te ajoelhar, fazer da tua boca devoção e rezar, gemendo e louvando o meu nome. Pra ser sincero isto me livraria de ter que ir à livraria pra tomar café. E teus pecados de ortografia não se tratam de deriva secular das línguas, crioulização ou transmissão irregular, mas do escrever nua, as coisas cruas, paridas ao vento. Falo do verbo querer! Queres com veemência o meu substantivo, sem pronomes, tributos ou pena.

Pra ser sincero eu não faço mais que simular com denodo a verdade.


"Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo"
Música: Otto